Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018
Corsários e Piratas Portugueses

Corsários e Piratas Portugueses

Sebastião Gonçalves Tibau, nascido em Santo António do Tojal, embarcado para a Índia na qualidade de soldado em 1605, desertou do serviço da Coroa tornando-se líder de uma república pirata. Sob o seu comando mais de 3 mil homens, uma imponente armada e numerosas peças de artilharia espalharam a violência e o terror nos mares de Bengala.

 

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Sábado, 13 de Janeiro de 2018
Menos uma

Fundada em 1931, a irmã lisboeta da Lello do Porto é a mais recente vítima de uma vaga de encerramentos na Baixa e Chiado. As três funcionárias vão para o fundo de desemprego. O SOL testemunhou o momento da despedida.


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Sábado, 6 de Janeiro de 2018
Dostoievsky O Idiota

Ler um romance de Fiódor Dostoiévski (1821 - 1881) é conhecer ou até mesmo reconhecer o lado sombrio e desesperado da humanidade. Um lado que sempre está presente (talvez oculto) em nossa alma. Ler Dostoiévski é como iniciar um passeio ao inferno que não sabemos exatamente o quanto e como nos influenciará, mas que deixará algumas marcas, como é, ou deveria ser, um dos principais objetivos de qualquer obra literária.

Neste, como em todos os outros livros de Dostoiévski, as personagens interagem em situações descontroladas sempre a um passo da tragédia como no caso do jovem Raskólhnikov de “Crime e Castigo”, talvez sua obra mais representativa.
A narrativa de “O Idiota” é frenética e desconcertante e tem como base a tese de que o homem bom e puro, dotado de uma compaixão verdadeiramente cristã, jamais poderá conviver em uma sociedade corrompida, tornando-se para seus semelhantes um idiota, alvo de humilhação e de aproveitadores.
Para desenvolver este tema, Dostoiévski criou a personagem principal do príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin com um pouco de Jesus Cristo e outro tanto de Dom Quixote. “A personagem de Míchkin tinha de atingir o grau supremo da evolução do indivíduo, quando ele é capaz de sacrificar-se em benefício de todos. Para isso deveria estar isento de individualismo e de egoísmo.” – ver “A personagem central e seus protótipos” no prefácio do tradutor.
O príncipe Míchkin retorna à Rússia após mais de quatro anos de tratamento de epilepsia na Suíça e logo se envolve em uma trama envolvendo a bela Nastácia Filíppovna e seus pretendentes: Afanássi Ivánovitch Totski, Parfen Rogógin e Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin (uma primeira dificuldade para o leitor brasileiro é, naturalmente, se acostumar com os nomes russos).
Cada um desses pretendentes tem uma relação de caráter diferente com Nastácia Filíppovna, o rico fazendeiro Afanássi Ivánovitch Totski foi o responsável pela criação e formação de Nastácia, após a perda da família originada por uma série de fatalidades, ela é criada por Totski em uma pequena fazenda no interior da Rússia, chamada de “Aldeola das Delícias”, não sendo difícil imaginar o motivo.
Nastácia Filíppovna se transforma, ao longo do tempo, em uma mulher amarga e atormentada, disposta a se vingar da sociedade que moldou o seu destino, independente de sua vontade. As ameaças de Nastácia de tornar pública sua relação com o rico e influente Totski fazem com que ele desenvolva uma sórdida negociação com o jovem Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin com a finalidade de promover o casamento dele com Nastácia à custa de uma quantia considerável.
O dinheiro é sempre um elemento central nos dramas de Dostoiévski e isto, mais uma vez, fica claro neste romance, quando Gavrila Ardaliónovitch afirma que “Uma vez com o dinheiro, saiba que serei um homem original no supremo grau da palavra. O dinheiro é mais abjeto e odioso porque ele dá talento.” Logo, por ambição, ele cede à proposta de Totski, mas Nastácia zomba do dinheiro e de todos aqueles que fazem dele o objetivo de suas vidas – ver “O dinheiro na Obra de Dostoiévski” no prefácio do tradutor. O próprio Dostoiévski escreveu este livro em meio a suas próprias crises de epilepsia e também pressionado por grandes dívidas de jogo.
Nastácia, após recusar o casamento com Gavrila, acaba se vendendo ao rico herdeiro Parfen Rogógin por uma quantia ainda maior, para logo depois lançar o dinheiro ao fogo. Entretanto, sua relação com Rogógin que não consegue se libertar de uma paixão doentia por ela terá prosseguimento com conseqüências trágicas para todos.

O príncipe Míchkin também acaba se apaixonando por Nastácia Filíppovna, mas este amor é fruto unicamente da compaixão que ele sente pelo sofrimento de Nastácia. O príncipe encontrará o verdadeiro amor por Aglaia Ivánovna, a filha caçula do general Ivan Fiódorovitch Iepántchin e Lisavieta Prokófievna.

Ler um romance de Fiódor Dostoiévski (1821 - 1881) é conhecer ou até mesmo reconhecer o lado sombrio e desesperado da humanidade. Um lado que sempre está presente (talvez oculto) em nossa alma. Ler Dostoiévski é como iniciar um passeio ao inferno que não sabemos exatamente o quanto e como nos influenciará, mas que deixará algumas marcas, como é, ou deveria ser, um dos principais objetivos de qualquer obra literária.
Neste, como em todos os outros livros de Dostoiévski, as personagens interagem em situações descontroladas sempre a um passo da tragédia como no caso do jovem Raskólhnikov de “Crime e Castigo”, talvez sua obra mais representativa.
A narrativa de “O Idiota” é frenética e desconcertante e tem como base a tese de que o homem bom e puro, dotado de uma compaixão verdadeiramente cristã, jamais poderá conviver em uma sociedade corrompida, tornando-se para seus semelhantes um idiota, alvo de humilhação e de aproveitadores.
Para desenvolver este tema, Dostoiévski criou a personagem principal do príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin com um pouco de Jesus Cristo e outro tanto de Dom Quixote. “A personagem de Míchkin tinha de atingir o grau supremo da evolução do indivíduo, quando ele é capaz de sacrificar-se em benefício de todos. Para isso deveria estar isento de individualismo e de egoísmo.” – ver “A personagem central e seus protótipos” no prefácio do tradutor.
O príncipe Míchkin retorna à Rússia após mais de quatro anos de tratamento de epilepsia na Suíça e logo se envolve em uma trama envolvendo a bela Nastácia Filíppovna e seus pretendentes: Afanássi Ivánovitch Totski, Parfen Rogógin e Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin (uma primeira dificuldade para o leitor brasileiro é, naturalmente, se acostumar com os nomes russos).
Cada um desses pretendentes tem uma relação de caráter diferente com Nastácia Filíppovna, o rico fazendeiro Afanássi Ivánovitch Totski foi o responsável pela criação e formação de Nastácia, após a perda da família originada por uma série de fatalidades, ela é criada por Totski em uma pequena fazenda no interior da Rússia, chamada de “Aldeola das Delícias”, não sendo difícil imaginar o motivo.
Nastácia Filíppovna se transforma, ao longo do tempo, em uma mulher amarga e atormentada, disposta a se vingar da sociedade que moldou o seu destino, independente de sua vontade. As ameaças de Nastácia de tornar pública sua relação com o rico e influente Totski fazem com que ele desenvolva uma sórdida negociação com o jovem Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin com a finalidade de promover o casamento dele com Nastácia à custa de uma quantia considerável.

O dinheiro é sempre um elemento central nos dramas de Dostoiévski e isto, mais uma vez, fica claro neste romance, quando Gavrila Ardaliónovitch afirma que “Uma vez com o dinheiro, saiba que serei um homem original no supremo grau da palavra. O dinheiro é mais abjeto e odioso porque ele dá talento.” Logo, por ambição, ele cede à proposta de Totski, mas Nastácia zomba do dinheiro e de todos aqueles que fazem dele o objetivo de suas vidas – ver “O dinheiro na Obra de Dostoiévski” no prefácio do tradutor. O próprio Dostoiévski escreveu este livro em meio a suas próprias crises de epilepsia e também pressionado por grandes dívidas de jogo.

Nastácia, após recusar o casamento com Gavrila, acaba se vendendo ao rico herdeiro Parfen Rogógin por uma quantia ainda maior, para logo depois lançar o dinheiro ao fogo. Entretanto, sua relação com Rogógin que não consegue se libertar de uma paixão doentia por ela terá prosseguimento com conseqüências trágicas para todos.

O príncipe Míchkin também acaba se apaixonando por Nastácia Filíppovna, mas este amor é fruto unicamente da compaixão que ele sente pelo sofrimento de Nastácia. O príncipe encontrará o verdadeiro amor por Aglaia Ivánovna, a filha caçula do general Ivan Fiódorovitch Iepántchin e Lisavieta Prokófievna.


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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017
Livros

 

 

Quem escreve comunica para alguém, conhecido ou desconhecido (as redes sociais, os blogues, etc.). A História começa com os primeiros «livros» conhecidos, em tabuinhas de argila, papiro, etc., mas antes dos primeiros «livros» existiram diversas formas de comunicação, os antepassados dos livros, nós em cordas, ábacos, livros «objectos» etc. Eram comunicações rudimentares, essenciais, mas já eram comunicar algo para ser levado por um mensageiro a outra tribo. 

Hoje podemos escrever - comunicar - para alguém ou para ninguém, para nós, um solilóquio solitário, talvez com um interlocutor imaginário.

Escrevemos o que o nosso pensamento dita mas o nosso pensamento também pode estar a ditar o que outros escreveram e pensaram.  Assim o que escrevemos pode ser original, raramente, ou uma sucessão de pensamentos alheios que antecederam o nosso.

Quem nos lê pode igualmente utilizar algo do que pensamos.

Durante séculos os escribas copiavam e recopiavam (com erros) livros antigos ( a Bíblia é um deles) e poucos livros originais.

Com Gutembergue inicia-se a massivicação lenta dos livros em pequenas tiragens; numa sociedade baseada na agricultura muito poucos sabiam ler. A formação da opinião pública, principalmente por via dos salões de aristocratas, dos clubes e dos jornais , ainda estava longe.

Ao lado dos livros eruditos, surgem os livros de cordel vendidos em feiras e por vendedores ambulantes.  

Os livros estão feridos de morte. Os livros virtuais são uma ameaça e talvez não seja a maior. Em Abril a tiragem média dos livros era de 2.500 a 3.000 exemplares, acima disto só os livros dos autores importantes. Quarenta anos depois as tiragens médias são exactamente as mesmas!
Os livros desapareceram dos transportes , dos jardins, dos cafés, das praias, etc. Uma pessoa que lê um livro naqueles locais é uma raridade. 

A iliteracia dos escolarizados é óbvia. O ensino é um dos grandes falhanços de Abril.
Outros factores haverá, o baixo nível cultural da população.  Em 25 de Abril a taxa de escolarização no ensino básico era de apena 20% e de 9% no ensino secundário.

A revolução foi feita com este povo iletrado e somos uma sociedade culturalmente de baixo nível. Dói, mas é verdade.


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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
Kamasutra

kamasutra.jpg

 

Não é um livro pornografico é o tratado mais completo das relações sexuais entre homem e mulher.

Kamasutram (Sânscrito: कामसूत्र), geralmente conhecido no mundo ocidental como Kama Sutra, é um antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, amplamente considerado o trabalho definitivo sobre amor na literatura sânscrita. O texto foi escrito por Vatsyayana, como um breve resumo dos vários trabalhos anteriores que pertencia a uma tradição conhecida genericamente como Kama Shatra.

“Ao contrário do que muitos pensam, o Kama Sutra não é um manual de sexo, nem um trabalho sagrado ou religioso e também não é um texto tântrico. Na abertura de um debate sobre os três objectivos da antiga vida hindu - DarmaArtha e Kamadeva - a finalidade do Vatsyayana é estabelecer kama, ou gozo dos sentidos, no contexto. Assim, Darma (ou vida virtuosa) é o maior objetivo, Artha, o acúmulo de riqueza é a próxima, e Kama é o menor dos três.” — Indra Sinha. 

Kama é a literatura do desejo. Já o Sutra é o discurso de uma série de aforismos. Sutra foi um termo padrão para um texto técnico, assim como o Yôga Sútra de Pátañjali. O texto foi escrito originalmente como Vatsyayana Kamasutram (ou "Aforismos sobre o amor, de Vatsyayana"). A tradição diz que o autor foi um estudante celibatário que viveu em Pataliputra, um importante centro de aprendizagem. Estima-se que ele tenha nascido no início do século IV. Se isso for correto Vatsyayana viveu durante o ápice da Dinastia Gupta, um período conhecido pelas grandes contribuições para a literatura Sânscrita e para cultura Védica.


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Domingo, 15 de Outubro de 2017
Ontem aqui tão perto

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Nunca tive a nostalgia do campo. O meu avô materno era um pequeno (minús­culo) proprietário vinhateiro do "bair­ro" ribatejano, que economicamente se emoldurava com perfeição no Portugal camponês idealizado pelo salazarismo. Ou seja, tinha uma vida penosa, a osci­lar entre a austeridade e a penúria, num permanente sobressalto meteorológico, balizada pelo profundo horror à mudan­ça e uma suspeição contumaz a tudo o que proviesse de fora do seu afunilado horizonte visual.

No campo, em vez de sanitas havia o espectáculo inolvidável de um tampo aberto sobre a aromática fossa num cubí­culo ao fundo do quintal. Não havia água canalizada mas mulheres todo o dia acar­tando bilhas de água ladeira acima, da fonte até às casas. Não havia fogões mas fogareiros de carvão ou petróleo. Elec­tricidade já havia em casa de meus avós, duas ou três lâmpadas de baixa volta­gem, acendidas com parcimónia porque estoiravam com as frequentes quebras de tensão - um candeeiro a petróleo havia de estar sempre ao alcance da mão. Cães e burros superavam demografica­mente os seres humanos. Esta existên­cia vernacular, digna de Aquilino, não ocorria nuns brejos atrás do Sol posto nem num tempo antediluviano, mas eram o quotidiano até meados da déca­da de 1970 numa aldeia a 50 quilóme­tros da capital.

 

P. S.

Já não me lembro que é o autor deste texto.


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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017
Tieta do Agreste

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Tieta do Agreste, publicado em 1977, é uma das mais populares obras de Jorge Amado, autor baiano, que criou personagens sensuais engajando criticas politico-sociais sobre o cenário nacional e especial baiano, seja na capital baiana, Salvador, ou no interior do estados nos campos cacaueiros, exportando a cultura nacional, a partir daí considerado ”embaixador simbólico do Brasil”. Tieta tem um enredo divertido, envolvente e porreta!

Antonieta Esteves Cantarelli, apelidada de Tieta, era pastora de cabras quando foi expulsa pelo seu pai e volta ao lar anos depois, como é dito na sinopse, em busca de redenção e justiça, para fazer as pazes com a família, incluindo Perpétua, sua irmã gananciosa e beata solteirona. A grande personalidade da personagem é forte, e foi referência para músicas, que já citamos aqui.

A chegada de Tieta na pequena cidade de Santana do Agreste vai gerar grande rebuliço, Tieta tem grandes pretensões: levar luz elétrica para a cidade, já que esta era considerável ”viúva” rica vinda de Sampa. No inicio da história Tieta não aparece, na verdade nem se sabe se ela está viva, a curiosidade dos parentes da família Esteves na pequena cidade é grande, como Tieta está? O que aconteceu? E como já não bastasse, uma indústria pretende se fixar na cidade.

Um dos temas fortes no livro é meio-ambiente e desenvolvimento, em um certo momento da história a Brastânio, uma empresa de dióxido de titânio, ameaça se instalar nos arredores de Mangue Seco (praia próxima à cidade) e destruir os manguezais, a população se divide e discussões politicas começam, retratando as peculiaridades da politica nacional como um todo e em plena ditadura Jorge dá alfinetadas ao regimento militar.

O cotidiano da cidade é nostálgico para quem já morou em cidades interioranas: beatas, meninos travessos, prostitutas, políticos ferrenhos e uma pitada de interesse-na-vida-alheia, ou seja, fofocas, Tieta adicionada à vinda da indústria de titânio é um prato cheio para as línguas afiadas, com um adicional de meia-xícara de romance, romances proibidos, romances líbidos: sexo. As palavras nos livros de Jorge são escolhidas, amaciadas, dançantes, um dialeto que às vezes só se pode entender ao buscar no dicionário, ou para quem vive ou viveu no interior.

Sexo, uma palavra que afasta alguns e aproxima outros em algumas obras literárias, sexo, não poderia faltar em uma história de Jorge Amado, sexo, um instinto humano, ritual, divino, força motivadora da essência humana, o que nos faz aproximar dos personagens.

Antonieta criou um próprio personagem para a sua vida, viúva rica, enquanto na verdade é dona de um bordel, moral vs realidade, ela precisa desse disfarce para se aproximar de sua família, se adequando às commodities sociais para se encaixar ou sofrerá a irá de seu pai novamente, uma das criticas de Jorge quanto a auto-aceitação.

 
Jorge Amado

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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
Rainha do Sul

Wook.pt - A Rainha do Sul

 

Romance a não perder. Uma mulher, negrita, consegue impor-se no meio do narcotrafico, coutada exclusiva de homens.


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Sexta-feira, 2 de Junho de 2017
Historia do Mundo

 

Neste livro, Andrew Marr alarga a lente da História, indo para lá da Europa, até às Américas, a África e à Ásia. E, em vez de se centrar num único episódio num único local, apresenta-nos paralelos surpreendentes e ligações fascinantes, focando a sua atenção num incidente ou episódio específico para contar a história mais vasta de um continente ou época.   Este é um livro sobre as grandes figuras que mudaram a História e o seu tempo, pessoas como Cleópatra, Gengis Khan ou Galileu, mas é também um livro sobre nós ¿ pois «quanto melhor compreendermos como os governantes se distanciam da realidade, ou porque revoluções produzem ditadores mais vezes do que produzem felicidade, ou por que algumas partes do mundo são mais ricas do que outras, mais fácil é entender a nossa própria época».

 

A não perder.

 

 


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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017
Desilusão ?

Estou a ler o livro "Portugal amordaçãdo" de autoria de Mário Soares reeditado pelo semanário Expresso em 7 brochuras.

Até à pagina 53 da primeira brochura apenas escreveu datas, nomes e acontecimentos ocorridos entre a Primeira República e os primeiros anos do salazarismo sem um paragrafo interpretativo daquele importante período da nossa História: uma desilusão.

O prefácio do seu sobrinho Alfredo Barroso é uma mera cronologia igualmente sem qualquer interesse.

Vou aguardar, de pé  a trás, pelas próximas brochuras.


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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
O canto e as armas

 

O tempo dos homens excecionais

Uma das coisas irritantes da avaliação do presente é a ideia de que “isto nunca esteve tão mal”. Enquanto desabafo de café, emocional, faz sentido: afinal, o tempo em que éramos - jovens era o melhor de todos. A reescrita do passado enquanto lugar de prazeres etéreos é um mecanismõ automático e algum esquecimento é preciso para continuar a marchada da vida dos povos.

Veja-se a Europa: foi preciso uma grande dose de esquecimento para trancar os traumas da II Guerra Mundial num poço, pôr uma pedra em cima e, sobre essa pedra, construir uma nova igreja — a da Europa como lugar primeiro da solidariedade, teoria agora em fim de ciclo.
Infelizmente, as memórias de passados felizes são coisas íntimas e humanamente compreensíveis que não resistem à lógica, à estatística e à política.

 Esta semana, no lançamento da edição definitiva de “O Canto e as Armas”, de Manuel Alegre, que foi publicado pelo primeira vez faz agora 50 anos, Alegre desabafava que “é muito difícil transmitir às novas gerações o sufoco daquele tempo”. Nada mais verdadeiro. E, aliás, quase impossível.

Como explicar que havia uma ditadura, uma guerra colõnial, caixões de Pedros soldados, uma pobreza assustadora, uma classe média assustada e remediada, uma função pública que tinha de assinar um papel a declarar a sua aversão ao comunismo? Onde as mulheres tinham um bocadinho mais de direitos do que os animais têm hoje?

Esse país que hoje parece intangível, incompreensível, quase uma lenda para as gerações mais jovens, era o que havia há 50 anos. “O Canto e as Armas” é o retrato bruto desse país, feito por um poeta muito jovem e combatente.
Mas esse tempo negro foi também o tempo dos homens excecionais. Manuel Alegre é um desses homens excecionais que o país — e as gerações mais jovens — devia saber homenagear condignamente. Mas, se calhar, muitos não percebem. Nem o percebem. Mas os poetas têm a dádiva de tambem não precisar disso

 

Ana Sá Lopes, jornal I de ontem.

 



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Domingo, 29 de Janeiro de 2017
A Bíblia errou

 

 

 

Acontece a qualquer um. Não foi o homem que foi «criado» em primeiro lugar e depois a mulher para este se distrair.

Primeiro, somos todos mulheres, depois é que o género muda ou não: a origem é sempre  feminina como se explica a biologia:

 

 

“Por que razão os homens têm mamilos?

Para falar de uma forma mais correcta, não são os mami­los a característica mais óbvia do peito dos homens, mas sim os círculos de pele pigmentada que se localizam em redor deles, conhecidos por aréolas (do latim areolae que significa «pequenas áreas»). A presença destes itens tão obviamente inúteis nos homens resulta da forma como os nossos corpos adquirem a sua identidade sexual quando ainda somos embriões.

Talvez seja um facto surpreendente, mas todos os em­briões iniciam o seu desenvolvimento no útero como embriões femininos, não obstante a sua carga genética (se são femininos têm dois cromossomas X, se são masculinos têm um cromossoma X e outro Y). Todos começamos as nossas vidas como mulheres. Durante estas primeiras etapas do desenvolvimento, as células que irão formar os seios e os mamilos concentram-se na zona do peito de todos os em­briões. Contudo, se cerca de seis semanas depois da fertiliza­ção o feto é XY, um dos genes do cromossoma Y entra em   acção e desencadeia a formação dos testículos.

 Por sua vez, estes produzem testosterona - uma hormona esteróide pro­duzida pelos testículos, que também emprestam parte do seu nome. Sob a influência da testosterona, o feto XY trans­forma-se num feto masculino. Sem a presença da testoste­rona, o feto continuaria a desenvolver-se como sendo feminino. (Testosterona é um exemplo de uma hormona «andrógena», do grego andro, que significa «do homem» e gerador). Contudo, mesmo sob a acção da testosterona, é já demasiado tarde para remover as células que darão origem às aréolas. É por este motivo que os homens têm mamilos.

Em alguns casos raros, os corpos dos fetos XY não res­pondem à produção de androgénio. Os testículos formam­-se no interior do corpo e a hormona é produzida, mas o corpo ignora-a simplesmente. Este fenómeno é conhecido como Síndrome de Insensibilidade ao Androgénio. Neste caso, como todos os fetos iniciam a sua vida como femininos, o feto continua simplesmente a desenvolver-se como uma rapariga, embora geneticamente ainda seja XY.

O Síndrome pode ser completo ou parcial, mas se for completo, a mu­lher que daí resultar pode não ser mais masculina que qual­quer outra de genes XX. Na verdade, cada mulher XX vai produzir uma certa quantidade de androgénio nos seus cor­pos que pode ter pequenos efeitos, enquanto o corpo de uma mulher XY pode não ter qualquer reacção ao androgénio. Existe, contudo, um problema para uma mulher XY: ela não poderá ter filhos.

 Nos fetos XX, os cromossomas sexuais provocam o desenvolvimento dos ovários. Estes produzem a hormona feminina estrogénio (do grego oistros, que significa «loucura» - uma referência à actividade de muitos animais durante a época de acasalamento - e gerador). O estrogénio desencadeia o desenvolvimento do útero. Na puberdade, o útero assume a sua forma adulta e renova o seu revesti­mento todos os meses, expelindo o tecido mais antigo através da menstruação.

 Uma mulher XY tem simplesmente tes­tículos internos, não ovários; consequentemente, não produz óvulos, as suas trompas de Falópio e o útero nunca se che­gam a formar, pelo que nunca poderá menstruar. Hoje em dia, é frequentemente através de um exame médico feito para determinar os motivos da ausência de menstruação que se descobre que determinada mulher é geneticamente XY. Con­tudo, para além dessa trágica consequência, ela continua a ser completamente feminina. Se no útero os corpos dos homens não reagissem à testosterona, seríamos todos mulheres. O gé­nero por defeito ê o feminino, tal como os mamilos masculi­nos tão bem atestam.”

 

 

 

Do livro "O nosso corpo – o peixe que evoluiu", de Keith Harrison,

Editorial Presença

 


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Domingo, 11 de Dezembro de 2016
A não perder

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O Leopardo é um clássico da literatura italiana da primeira metade do século XX subordinado a um tema que se tornou particularmente caro aos habitantes do continente europeu, em virtude das convulsões sociais e políticas que acompanharam a transição do século XIX para o século XX, sobretudo com a desagregação de impérios como o dos Habsburgos ou dos Bourbons: a circulação dasélites. O caso italiano é disso um expoente máximo por ser constituído, na altura, por um aglomerado de pequenos principados ou mini-repúblicas, isto é uma península dividida em cidades-estado, disputando o poder entre si e disputadas por potências imperiais vizinhas.

O trabalho de unificação é levado a cabo por Giuseppe Garibaldi, já na última metade do século XIX, culminando com a ascensão ao trono de Vítor Emanuel de Sabóia. Isto implicou alguns acidentes tectónicos nas estruturas da sociedade italiana, facto que Lampedusa explora (e muito bem) neste belíssimo romance que evoca a nostalgia de um mundo em vias de desaparecer.

Estamos na Sicília, em meados do século XIX, quando o revolucionário Giuseppe Garibaldi desembarca em Marsala chefiando “os descamisados”, ou simplesmente, “os camisas vermelhas”. O objectivo é a reunificação da Península Itálica, a expulsão dos Bourbons - cuja pretensão de hegemonia, partindo de Nápoles de onde reina a dinastia Bourbon, irrita de sobremaneira os italianos – e sua substituição pela dinastia rival de Piemonte, apoiando Vítor Emanuel da casa de Sabóia.

Assumindo como seus os ideais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade –, as tropas de Garibaldi, pretendem o estabelecimento de uma nova ordem social ao defender a igualdade de oportunidades como o principal objectivo da revolução. Recebem, por isso, o apoio directo de uma classe em franca ascensão: uma burguesia endinheirada que lucra em progressão geométrica com o endividamento galopante de uma nobreza dissipadora e cada vez mais passiva.


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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016
Muito ouro pouco pão

- Claro, claro – tomava João Brandão (consul em Antuérpia). – El-rei há-de por certo pedir que lhe enviemos trigo. Os cofres estão a abarrotar de ouro e os celeiros sem pão. Triste sina. Tenho já pronta a fardagem que da outra vez pediu. Logo que descarregueis a mercadoria,podereis embarcar esta.

- Posso-o confirmar – disse eu (Damião de Góis). – Em Lisboa, na Casa da Contratação da Índia os oficiais não têm tempo de contar o ouro que lhes devem dos tratos, mas o povo…

- O pior é que o rei João (João III), apesar dos avisos que lhe fazem alguns conselheiros mais avançados, parece querer seguir a maneira do pai e tapar o grande sorvedouro com fazer moeda nova.

… - Ande iremos parar?

- Pergunta antes onde já nos atolámos. Tanto alarde de riqueza pelo mundo, a embaixada ao papa Leão, elefanres, rinocerontes, onças pérsias, pontificais de ouro,,, Olhai. Está quase pronto o pontifical que El-rei Emanuel me encomendou para a capela do Tosão de Ouro. Pobre rei. Tão vaidoso da sua riqueza!

“Que te parece esta moeda, duque?” perguntou el-rei. “Muito mal” respondeu-lhe Jaime. “Moedas novas fazem mudança e carestia no preço de todas as coisas. Com esta moeda que mandas-te cunhar, por uma luvas que se vendiam por trinta réis pedem já meio tostão.

 

Fernando Campos, A sala das perguntas

 


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Domingo, 4 de Dezembro de 2016
4.500 mil milhões de anos... em 24 horas

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Se imaginarmos a história da Terra, com os seus 4.500 mil milhões de anos comprimidos num dia de 24 horas, a vida começaria cedo, por volta das 4 horas da madrugada, com o aparecimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não acontece mais nada durante as 16 horas seguintes.

Só quase às 20,30m, depois de terem passados cinco sexto do dia, é que o planeta tem alguma coisa concreta para mostrar ao Universo, uma fina camada de irrequietos micróbios.

Depois aparecem as primeiras plantas marinhas, seguidas, 20 minutos mais tarde das primeiras alforrecas e da enigmática fauna ediacarana. Às 21,04m entram em cena os trilobites seguidos mais ou menos pelos simétricos seres de Burgess Shale.

Pouco antes das 22,00m começam a surgir as plantas em terra. Pouco depois surgem os primeiros seres terrestres. Graças a uns dez minutos de clima ameno, à 22,24m a Terra está coberta das grandes florestas carboníferas, cujos resíduos nos fornecem todo o nosso carvão, e surgem os primeiros insectos voadores.

Os dinossários aparecem em cena pouco antes das 23,00m, caminhando pesadamente e aguentam-se até às 23,45m. Àos 21,00m para a meia-noite começa a era dos mamíferos. Os humanos surgem um minuto e dezassete segundos antes da meia-noite. Nesta escala a duração de uma vida humana dura apenas um instante.

Ao longo deste dia extraordinário, os continentes flutuam de um lado para o outro e colidem a um ritmo precipitado. Há montanhas que erguem de repente e outras que se fundem, bacias oceânicas que aparecem e desaparecem, glaciares que avançam e regridem.

Não faltaram várias extinções maciças; o planeta Terra é um lugar perigoso para se viver.

 


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publicado por pimentaeouro às 12:48
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